A Região de Lisboa tem vindo a afirmar-se no panorama vitivinícola nacional e internacional. Que características distinguem hoje os vinhos da região?
A Região de Lisboa destaca-se por uma diversidade de produtos com uma combinação rara de consistência e excelente relação qualidade-preço. É uma região atlântica por excelência, com forte influência do oceano, o que se traduz em vinhos com frescura natural, acidez equilibrada e grande aptidão gastronómica. Ao mesmo tempo, apresenta uma enorme versatilidade estilística — desde brancos leves e aromáticos a tintos estruturados, passando por espumantes e vinhos de perfil mais moderno. A capacidade de produzir volumes relevantes com qualidade consistente é um fator diferenciador importante no contexto internacional.
Que tipo de vinhos e produtores da Região de Lisboa vão estar representados na nova edição da SAGALEXPO?
Na SAGALEXPO estará representado um leque diversificado de produtores da Região de Lisboa, desde grupos com forte presença internacional até produtores médios e projetos familiares com uma identidade muito própria. Em termos de vinhos, estarão presentes vinhos rancos frescos e aromáticos, muito alinhados com as tendências internacionais; mas também tintos equilibrados, com perfil moderno e boa capacidade de exportação ; vinhos com indicação geográfica Lisboa e também denominações de origem, entre as nove que a Região dispõe para oferecer; espumantes e algumas propostas mais diferenciadoras, incluindo vinhos de castas autóctones. Esta diversidade reflete muito bem o posicionamento da região enquanto fornecedor versátil para diferentes segmentos de mercado.
A diversidade de terroirs é apontada como uma das grandes características diferenciadoras da região. De que forma esta diversidade se reflete no perfil dos vinhos que vão a ser apresentados?
Sem dúvida. A Região de Lisboa é um verdadeiro mosaico de terroirs, com variações significativas de solos, altitudes e exposição atlântica. Isso traduz-se diretamente nos vinhos: Nas zonas mais próximas do mar, predominam vinhos mais leves, com maior frescura, salinidade e elegância; em zonas interiores, surgem vinhos com maior concentração, estrutura e maturação; em Regiões como Bucelas evidenciam-se brancos minerais e de grande longevidade, enquanto Colares oferece perfis únicos e irrepetíveis. Na SAGALEXPO, esta diversidade permite apresentar uma oferta completa, capaz de responder a diferentes.
Que castas ou estilos de vinho da Região de Lisboa considera que têm maior potencial de exportação e por consequência crescimento nos mercados internacionais?
Os maiores motores de crescimento continuam a ser: vinhos brancos frescos e aromáticos, particularmente de castas como Arinto, Fernão Pires e Vital e vinhos brancos leves; vinhos tintos equilibrados e acessíveis, muitas vezes com blends que combinam castas nacionais e internacionais; vinhos com perfil “easy drinking” mas com identidade, muito valorizados em mercados como EUA, Brasil e Europa do Norte. A destacar uma variedade, podemos dar como exemplo a casta Arinto, a qual tem vindo a afirmar-se fortemente como uma grande embaixadora da região, pela sua capacidade de expressar o terroir em que nos encontramos.
A SAGALEXPO tem como foco a exportação e os mercados externos. Que oportunidades concretas este evento cria para os produtores da Região de Lisboa?
A SAGALEXPO cria oportunidades muito concretas ao promover o contacto direto entre produtores e compradores internacionais qualificados. Permite gerar novos leads comerciais; consolidar relações com importadores já existentes; apresentar novidades e portefólios de forma estruturada; posicionar a marca e a região em mercados estratégicos. É um ambiente altamente orientado para negócio, o que é fundamental para uma região com forte vocação exportadora como Lisboa.
Que importância tem uma feira como a SAGALEXPO para reforçar a presença dos vinhos portugueses, em particular os da Região de Lisboa, junto de importadores, distribuidores e grandes cadeias internacionais?
Eventos como a SAGALEXPO são essenciais porque concentram, num único espaço, decisores de compra de múltiplos mercados. Para a Região de Lisboa, isso significa: aumentar visibilidade internacional; reforçar a perceção de qualidade e diversidade; demonstrar capacidade de fornecimento consistente e competir diretamente com outras regiões e países. É também uma oportunidade para afirmar Lisboa como uma região moderna, competitiva e alinhada com as exigências do mercado global.
Na sua perspetiva, que mercados estão atualmente a demonstrar maior interesse pelos vinhos da Região de Lisboa?
Os vinhos da Região de Lisboa têm registado procura crescente nos Estados Unidos, pela versatilidade e relação qualidade-preço; Brasil, pela afinidade cultural e crescimento do consumo de vinhos portugueses; Canadá e países nórdicos, onde a frescura e o perfil atlântico são muito valorizados; alguns mercados europeus maduros, como Reino Unido e Alemanha. Há também sinais positivos de crescimento em mercados emergentes da Ásia.
Como é que a Comissão Vitivinícola da Região de Lisboa tem trabalhado para apoiar os produtores na promoção e internacionalização dos vinhos?
A Comissão Vitivinícola da Região de Lisboa (CVR Lisboa) tem desenvolvido uma estratégia estruturada que inclui: Participação em feiras internacionais e missões inversas; Ações de promoção junto de importadores e imprensa especializada; Campanhas de comunicação focadas na identidade da região; Apoio técnico e estratégico aos produtores. Existe um foco claro em reforçar a notoriedade da marca “Lisboa” enquanto origem de vinhos de qualidade e confiança.
De forma está a ser trabalhada a presença da CRV Lisboa junto dos compradores internacionais que visitam a SAGALEXPO?
A presença da CVR Lisboa na SAGALEXPO é pensada de forma estratégica, assegurando: Um espaço representativo da região; Provas orientadas e experiências sensoriais; Informação clara e acessível sobre terroirs, castas e perfis de vinho; Apoio direto aos produtores na interação com compradores. O objetivo é criar uma experiência que vá além da prova, transmitindo o valor global da região.
Que futuro prevê para os vinhos da Região de Lisboa no contexto internacional?
Num contexto global cada vez mais competitivo, Lisboa está bem posicionada para crescer, sobretudo em segmentos onde o consumidor procura vinhos autênticos, frescos e acessíveis, sem abdicar de qualidade. A tendência aponta para um reforço da sua presença internacional e para uma valorização crescente da sua identidade própria.
O futuro é claramente positivo. A Região de Lisboa reúne vários fatores-chave: Capacidade de adaptação às alterações climáticas; Diversidade da sua produção; escala e consistência e Forte relação qualidade-preço.

