O que o motiva a visitar a SAGALEXPO e que tipo de oportunidades espera encontrar neste evento dedicado aos sabores portugueses?
Tenho vindo à SAGALEXPO desde o início. Em primeiro lugar, gosto de vir porque muitos dos meus fornecedores estão presentes, e aproveito para os visitar a todos de uma só vez. Não venho com um objetivo específico ou melhor, os objetivos já os trabalhamos diretamente com os fornecedores. No entanto, acaba sempre por surgir alguém interessado em que façamos degustações ou explorar novas oportunidades. No fundo, o objetivo é visitar, marcar presença e perceber se há novidades que possam ser interessantes.
Qual é a importância de feiras como a SAGALEXPO para aproximar produtores portugueses de compradores internacionais?
Existem empresas com produtos líderes nos seus segmentos, mas também aparecem sempre novos produtores com qualidade. Quando surgem produtos inovadores, damos sempre atenção a essas novidades.
Que fatores mais valoriza no momento de selecionar novos fornecedores?
Há sempre novos participantes, o que aumenta a oferta. No caso da Suíça, existe uma comunidade portuguesa muito grande. Além disso, há também consumidores suíços que, através do passa-palavra, começam a interessar-se por estes produtos.
Que perceção têm hoje os produtos portugueses no mercado suíço?
Sobretudo no caso dos vinhos, incluindo o vinho do Porto, há sempre interesse por parte dos consumidores suíços em descobrir mais produtos. É um mercado bastante internacionalizado, com curiosidade por produtos mais específicos e inovadores. Já temos uma gama muito ampla de produtos portugueses, mas há sempre procura por novidades. Faz parte do nosso ADN introduzir novos produtos todos os anos.
Por exemplo, começámos a trabalhar com novos intermediários no setor do peixe.
Que desafios encontra habitualmente quando decide importar produtos de Portugal?
No caso dos produtos de carne, o mercado suíço é particularmente exigente. Existem muitas restrições e requisitos para as empresas que pretendem exportar. É necessário um registo emitido pelas autoridades portuguesas ou pela União Europeia, o que ajuda, mas ainda assim o processo é bastante rigoroso.
Além disso, as taxas alfandegárias são elevadas. No entanto, para produtos como conservas de peixe, queijos ou vinhos, praticamente não existem problemas. As maiores dificuldades surgem com os produtos de carne, sobretudo porque a Suíça procura proteger a sua produção nacional.
Eventos como a SAGALEXPO facilitam o contacto direto entre empresas. Até que ponto este tipo de interação presencial influencia a sua decisão de negócio?
Nestes casos, é essencial apostar na qualidade. Por exemplo, nos produtos de carne, devido às elevadas taxas alfandegárias, não é possível competir pelo preço, tem de se competir pela qualidade.
Se importar um produto de baixa qualidade, não o conseguirei vender. Por isso, é necessário trabalhar com produtos de nível elevado. No caso de produtos premium, como o porco preto, estamos a falar de segmentos ainda mais exigentes, onde a concorrência se baseia essencialmente na qualidade.
Como costuma ser o tipo de interação por parte das empresas portuguesas?
No nosso caso, muitos dos fornecedores já são parceiros de longa data. Estas visitas funcionam mais como um encontro de cortesia. É um convívio com os fornecedores e uma oportunidade de manter relações. Para nós, é uma feira importante porque reúne uma grande parte dos nossos parceiros num único local, evitando deslocações a diferentes regiões como o Algarve ou o Douro.
Que tendências de consumo na Suíça podem representar oportunidades para as marcas portuguesas que pretendem exportar?
O porco preto destaca-se bastante pela qualidade. Além disso, produtos como conservas de peixe e bacalhau também têm potencial, embora o consumo de bacalhau seja mais limitado entre os suíços.
Que tipo de parcerias ou desenvolvimentos considera mais prováveis desenvolver com as empresas portuguesas?
A comunidade portuguesa no estrangeiro tem um papel fundamental. Mais do que imigrantes, são os verdadeiros embaixadores dos produtos portugueses. São eles que impulsionam a procura e influenciam os comerciantes a ver estes produtos como oportunidades de negócio, contribuindo para o aumento desta procura.

