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“Suspensão da parceria com Angola não afectará o sector agro-alimentar”

21 de Outubro de 2013

O secretário de Estado da Alimentação e da Investigação Agro-alimentar, Nuno Vieira e Brito, afirma, em entrevista à Veja Portugal, que “não haverá qualquer reflexo no sector agro-alimentar” da suspensão da parceria estratégica entre Angola e Portugal. O governante, que falava esta segunda-feira, na Batalha, durante a inauguração da Intergal – Exposição de Produtos Alimentares e Bebidas de Portugal – que conta com a presença de 80 empresas e 150 importadores internacionais -, destacou ainda a criação de emprego para 10 mil jovens agricultores e a entrada de “280 projectos por mês” no sector agrícola.

Veja Portugal – Angola é o terceiro importador do sector agro-alimentar português. A suspensão da parceria estratégica decidida por Angola pode afectar esta relação comercial?

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O secretário de Estado Nuno Vieira e Brito (ao centro) durante um brinde na inauguração da Intergal (Fotos: Ricardo Graça)

Nuno Vieira e Brito - Acredito que todos os esforços diplomáticos que têm estado a ser feitos e o facto dos produtos agro-alimentares serem já tão tradicionais em Angola como em Portugal evitarão que seja afectada por qualquer alteração circunstancial que possa existir de políticas diplomáticas. Estou convencido que não haverá nenhum reflexo no sector agro-alimentar na capacidade exportadora nacional. Os próprios exportadores (na Intergal) têm-me manifestado uma vontade cada vez maior em exportar para Angola e tem havido contactos no sentido de continuar essa parceria na área agro-alimentar.

Esse esforço não poderá ficar suspenso porque há uma fase de indecisão?

Os países da CPLP (Comunidade dos Países de Língua Portuguesa) são ainda muito dependentes no sector do agro-alimentar e necessitam para as suas populações da importação de bens alimentares de primeira necessidade. Portanto, o esforço da CPLP que dedica este ano à segurança alimentar não será afectado e Portugal não será afectado por qualquer interferência conjuntural que possa existir. Porque de facto é necessário, é fundamental, também para as populações destes países o abastecimento de produtos.

Em cada três novos empregos, dois são criados na área da agricultura. Qual é a percentagem de jovens agricultores?

Temos recebido no sector uma média de 280 projectos por mês. No conjunto dos últimos quadros comunitários foram apresentados seis mil projectos, que criaram 10 mil empregos para jovens agricultores. A dinâmica dos jovens agricultores tem sido muito intensa e é uma das grandes maiorias dessa nova entrada no mercado de trabalho.intergal 2013_4

E procuram essencialmente que sectores?

Os jovens empresários que estão a instalar-se têm qualificações superiores e um perfil muito próprio. Estão a dedicar-se nesta altura à área vegetal, existindo também uma grande componente do sector das ervas aromáticas e dos frutos vermelhos. Uma das grandes vantagens destes jovens é a grande inovação, forma de comercialização e o marketing aplicado aos produtos. Passámos de uma fase de agricultores para uma fase de empresários agrícolas. Essa é uma grande mudança, de revolução de mentalidades na agricultura, que tem permitido o crescimento do sector agro-alimentar.

Que novos mercados estão a surgir?

Podemos, por exemplo, falar que o leite e os lacticínios estão prontos a entrar na China. Acreditamos que até ao fim do ano a carne de porco também entrará na China. Nos países do Magreb temos em curso uma profunda ofensiva técnica e diplomática no sentido de até ao fim do ano abrirmos novos mercados.

Qual é o peso do sector nas exportações?

Representa já cerca de 20% do sector exportador. As grandes áreas são o vinho, o azeite, mas também o leite, a carne de porco e os lacticínios. Os nossos três maiores mercados são a Espanha, França e Angola. Mas temos estado a crescer noutros, como o Brasil, a China e alguns países europeus.

 

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