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Stone: “Exportações têm grande potencial de crescimento”

17 de Abril de 2013

 O sector das rochas ornamentais pode duplicar o volume de negócios nos mercados externos em poucos anos, mas para isso é importante que as empresas criem parcerias, defende Carlos Caxaria, subdirector-geral de Energia e Geologia, a propósito da Stone-Feira Internacional da Pedra Natural de Portugal, que decorre na Exposalão, Batalha, de 16 a 19 de Maio. (Ler mais aqui e aqui)

Veja Portugal – Defende que o sector mineiro é importante para ajudar Portugal a sair da crise. A extracção de rochas ornamentais pode desempenhar um papel semelhante?

Carlos Caxaria − Não tenho quaisquer dúvidas quanto à importância das rochas ornamentais em Portugal e ao elevado potencial de crescimento das exportações. Penso mesmo que, em valor e em quantidade, pode duplicar em poucos anos, desde que se criem condições para as pequenas e médias empresas, que não estão preparadas para encarar o mercado externo de forma sustentada. Registo ainda a importância do sector na criação de emprego e de motor de desenvolvimento regional, pois muitas das áreas de produção situam-se em regiões desfavorecidas.stone

As dificuldades económicas quase pararam a construção civil e as obras públicas.A internacionalização e a exportação são o caminho?

Ao nível das pedreiras de rochas ornamentais, a crise levou ao fecho de muitas empresas produtoras que trabalhavam exclusivamente para o mercado interno (construção civil), mas aquelas que eram exportadoras estão hoje numa posição consideravelmente mais confortável. De qualquer modo, com crise ou sem crise, é importante que todas as empresas se internacionalizem, pois hoje vivemos numa economia global e quem o não o fizer, mais tarde ou mais cedo, acaba por não ter condições de sobrevivência.

Quais são as medidas que podem incentivar as exportações?

Estou certo de que Portugal tem uma enorme margem de crescimento nas exportações de rochas ornamentais e na verdade, apesar da crise, nos últimos anos tem havido um pequeno crescimento, em valor e em quantidade. Contudo penso que pode ser mais significativo se forem implantadas políticas viradas para o apoio à criação de estruturas comerciais especializadas, viradas para o escoamento da produção agregada de pequenas/médias empresas produtoras, que individualmente não têm capacidade para abordar o mercado externo. Para isso será necessário que alguns dos apoios ao sector sejam destinados a suportar a implementação destas estruturas comerciais, que se deverão enquadrar com parceiros internacionais.

As pedreiras são consideradas ainda hoje um problema ambiental, razão pela qual o sector é muitas vezes censurado. Esta ideia corresponde à realidade?

Efectivamente desde os fins dos anos 80 instalou-se a ideia de que a exploração de pedreiras de rocha ornamental e outras tem muitos aspetos negativos de ordem ambiental. Mas se compararmos com os custos ambientais de produtos alternativos, constatamos que estes são incomparavelmente superiores. As pedreiras onde se exploram rochas ornamentais situam-se na maioria em zonas economicamente deprimidas no interior do País e contribuem muito positivamente para o desenvolvimento económico e social através da criação de emprego directo e indirecto. É, pois, necessário acabar com a demagogia e fazer com que as decisões a tomar tenham por base abordagens devidamente ponderadas e sustentáveis nos seus três pilares: o ambiental, o económico e o social.stone3

As minas já têm um roteiro turístico. É possível desenvolver projectos de turismo industrial semelhantes em relação às rochas ornamentais?

O Roteiro de Minas tem vindo a alargar o seu âmbito a tudo o que se prenda com os recursos geológicos, estando as rochas ornamentais aí incluídas. Há contactos nesse sentido com a Câmara de Vila Viçosa.

O nosso país é um dos 10 maiores exportadores de pedra do mundo e tem das melhores pedras do mundo. Porque é que esse facto não é mais reconhecido?

Não posso deixar de referir que uma das principais razões, e salvo raras excepções, se prende com a incapacidade da maioria das empresas em trabalhar em parceria, não se complementando entre si, mas sim concorrendo entre si. É uma realidade que não acontece só neste sector, mas é urgente que se mudem mentalidades, pois o crescimento das exportações passa inevitavelmente por essa alteração de postura.•

 

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