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Produtos alimentares portugueses para além do “mercado da saudade”

3 de Março de 2013

// Vítor Mariano é um empresário do ramo alimentar e bebidas, nascido em Carvalho, Covilhã, há 65 anos, que montou em França um grupo responsável pela importação anual de produtos portugueses no valor de 15 milhões de euros. Nem o próprio imaginava este sucesso, quando chegou aos bairros de lata de Champigny bidonvilles, arredores de Paris, com apenas 20 anos.

// É um dos maiores importadores de produtos portugueses. Como encara essa situação?

Vítor Mariano − Quanto à dimensão, se sou o maior ou o menor, o que procuro é fazer parte dos melhores. Ao nível da qualidade, procuro fazer um bom trabalho, porque os produtos portugueses merecem que haja quem os saiba representar no estrangeiro. No caso do mercado de França, aquele que já faço há 32 anos, está a avançar cada vez mais no bom caminho, que eu tenho esperança de continuar a fazer.

Além de França, também está a investir em Portugal.

Nós criámos uma sociedade em Portugal, que já está a funcionar − com o nome de Vítor Mariano, sediada na Gafanha da Encarnação −, e vai dedicar-se, sobretudo, a outros países, não só na Europa. Irá, por exemplo, dedicar-se aos PALOP. Há também a ideia de montar uma plataforma logística na zona industrial da Covilhã.

Segundo a sua experiência, os produtos portugueses têm melhorado nos últimosanos ou não?

Eu tenho esperança nos nossos produtos. Penso que temos alguns que podem ir mais longe, ter maior aceitação.

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O chamado mercado da saudade é o principal para a sua empresa?

Temos os dois mercados. Temos o “mercado da saudade”, tudo o que são feiras e lojas portuguesas, e temos o da grande distribuição e da restauração. É neste que devemos aumentar o volume de negócios com os produtos portugueses.

Quais são os produtos preferidos?

O sector das bebidas, como vinhos, cervejas, sumos, é o que tem mais peso nos negócios, mas vendem-se muitos outros. Nós compramos por ano 15 milhões de euros de produtos alimentares e bebidas em Portugal. E espero que este valor venha a ser maior.

A crise em Portugal está a aumentar a emigração. Isso pode ser bom para os importadores de produtos nacionais?

Em certo sentido, infelizmente. É caso para dizer que o bem de uns é o mal de outros. Na verdade, há muita gente a emigrar novamente e essas pessoas quando chegam aos países de acolhimento procuram consumir os produtos portugueses. Lá fora, nós somos as antenas dos fornecedores em Portugal e com o nosso trabalho podemos ajudar a compensar a falta que há no País. Talvez o que os nossos fornecedores não possam vender cá, venham, em contrapartida, a vender no estrangeiro.

Como descreve hoje a Ets Mariano?

É um grupo empresarial com armazéns e lojas de venda ao público em Orléans, Lyon, Tours, Bordéus e Chennevières. Temos 45 funcionários, milhares de clientes em França e vendemos todo o género de produtos alimentares das melhores marcas portuguesas. Nos anos 80, em França, conhecia-se pouco mais do que o bacalhau, as azeitonas e o garrafão do vinho. Hoje, o negócio já vai muito além do “mercado da saudade”, atraindo franceses e pessoas de outras nacionalidades. O grupo está consolidado e este projecto tem continuidade assegurada nos meus dois filhos e nos cinco netos.•

 

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