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Pedras que ‘dão à luz’ são fenómeno lendário e atracção turística em Arouca

27 de Junho de 2013

Ao percorrer os caminhos do planalto da Serra da Freita sentimos a imensidão e grandiosidade da paisagem que se nos apresenta, pontuada por pequenas aldeias ladeadas por terrenos hortícolas. Para quem visita a região, a aldeia da Castanheira e as suas enigmáticas Pedras Parideiras são um ponto de paragem obrigatório.

Esta é uma ocorrência geológica referenciada pela primeira vez em 1769 no “Diccionario Geografico’; da autoria do padre Luís Cardoso, onde é descrita como “pedras que lançam outras pedrinhas pequenas em certos meses do ano, ficando-lhe as covas depois de as lançarem, e nas mesmas se vão criando outras para o ano seguinte” tendo por base os relatos dos habitantes da aldeia da Castanheira, que se referiam a esta rocha como a “pedra que pare pedra”. arouca pedras parideiras

Popularmente conhecidas por Pedras Parideiras, os geólogos designam estas rochas por Granito Nodular da Castanheira, devido à sua textura nodular e à sua proximidade à aldeia da Castanheira. Este granito formou-se há cerca de 320 milhões de anos e ocupa, na actualidade, uma área com cerca de um quilómetro quadrado. É diferente dos outros granitos que se conhecem devido à presença de uns nódulos negros, que se apresentam bastante achatados e com dimensões que variam entre os um a 12 cm de diâmetro. A constituição destes nódulos tem por base os minerais da rocha granítica: externamente são formados por uma capa de biotite (mineral de cor negra) e internamente por um núcleo composto por minerais de quartzo e feldspato (minerais de cor branca-acinzentada).

Porém, esta rocha possui associada a ela um misticismo muito próprio, relacionado com a pretensa fecundidade associada à libertação dos nódulos negros, como se de um acto de criação se tratasse. Contrariamente às crenças populares, cada nódulo é único, não se reproduzindo novamente. A sua libertação e consequente acumulação no solo, deve-se à acção da erosão provocada pelo calor do verão e pelo frio gélido que no inverno se faz sentir na Serra. Por tal razão, a remoção e pilhagem destes nódulos, pelos visitantes, ameaça directamente este património geológico singular. arouca pedras parideiras

Pela sua raridade, elevado valor científico e didáctico e também interesse turístico, as Pedras Parideiras foram inventariadas e classificadas pelo Arouca Geopark como geossítio de relevância internacional, reconhecido pela UNESCO.

Por isso mesmo a Câmara Municipal de Arouca, preocupada em proteger e divulgar este património, adquiriu uma antiga casa à entrada da aldeia da Castanheira, construída maioritariamente com o granito nodular da Castanheira convertendo-a, através do co-financiamento do PRODER (Programa de Desenvolvimento Rural) gerido pela ADRIMAG, num pequeno centro de interpretação e informação turística: A Casa das Pedras Parideiras. Este encontra-se em funcionamento diariamente das 9h30 às 12h30 e das 14h00 às 17h00 realizando visitas por marcação prévia. - Alexandra Paz, António Duarte e Artur Sá/AGA.

 

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