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Opinião: “Processos de internacionalização falham por falta de informação”

23 de Setembro de 2013

“O futuro tem novas geografias. A questão não é, as empresas portuguesas devem internacionalizar-se? Não, elas já estão internacionalizadas, quer queiram, quer não. A concorrência está à porta dos empresários, neste mundo globalizado.

A questão é, quando saímos das nossas portas devemos pensar nos destinos tradicionais ou temos de começar a alargar o nosso horizonte e a pensar noutros países. Por exemplo nos Eagle’s – chamados assim porque são aqueles cujas economias se pensa que vão liderar o crescimento nos próximos anos. E neste grupo estão economias como as do Brasil, China, Índia, mas também a Indonésia, a Coreia do Sul, o México, a Rússia, Taiwan. E há outras que estão a ser encaminhadas para este conjunto: África do Sul, Argentina, Bangladeche, Chile e Vietname.

Nós temos de estar muito atentos. Se o Indico e o Pacífico passarem a ser a centralidade, nós estamos no extremo Ocidente. Aquilo que para nós era o Japão, a China – países remotos – passamos a ser nós, aqui numa pontinha da Europa.

A minha mensagem não é de urgência, no sentido de nos sujeitarmos a fazer um disparate, mas de prioridade. Nós temos de olhar para esta realidade que é a internacionalização.

exertus luis ferreira

Luís Ferreira, consultor especialista da Exertus

A questão que nos prende é a lusofonia. Nós achámos, a páginas tantas, que podíamos procurar alguns mercados à boleia da língua. Mas, às vezes existe uma falsa proximidade cultural. Por falarmos a mesma língua não significa que os brasileiros negoceiam da mesma forma que nós, que as empresas angolanas tenham a mesma realidade ou que os empresários moçambicanos entendam os negócios exactamente como nós.

Mas a verdade é que existe aqui um potencial imenso, que gostávamos de aproveitar e por isso o projecto I-PME, de informação de proximidade para pequenas e médias empresas, resolveu criar quatro pontos de apoio para já: Portugal, Brasil, Angola e Moçambique.

O que verificamos é que muitos dos processos de internacionalização, sobretudo das empresas de menor dimensão, falham por uma razão: não são recursos humanos, não é falta de dinheiro, que me diriam ser fundamental para a internacionalização, é, sobretudo, por falta de informação. Informação, obviamente, cuidada, atempada e rigorosa.

É a informação que de facto gera as oportunidades de negócio e não as modas. Por isso foi estruturado o projecto I-PME, de informação de proximidade. Por exemplo, aceder aos dados macroeconómicos, dados gerais, sobre Moçambique, é muito fácil. E depois temos, do outro lado, a informação muito pequenina. Aquela que chega do género “tenho um amigo que está a ser bem-sucedido no negócio de padarias em Luanda”.

Nós percebemos que existe uma falha, entre a informação mais pequenina e a mais genérica. Esta informação do meio, do nosso ponto de vista, é a mais interessante. E esta informação é aquela que nos permite descobrir algumas janelas de oportunidade.

As PME só em conjunto conseguirão abordar algumas das oportunidades dos mercados internacionais. Sozinhas será muito difícil, por causa de diversos riscos, e por isso vale a pena pensar na colaboração entre empresas, no estabelecimento de parcerias. Definir bem as regras à partida e, depois, partir para modelos de internacionalização”.  - Luís Ferreira, consultor especialista da Exertus

 

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