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Diáspora é um dos grandes activos de Portugal por explorar na sua plenitude

18 de Fevereiro de 2013

// Pedro Reis, 45 anos, é, desde Dezembro de 2011, presidente da Agência para
o Investimento e Comércio Externo de Portugal (AICEP). Nesta entrevista defende
o estudo exaustivo da diáspora económica.

// Qual é a importância do chamado mercado da saudade e da diáspora portuguesa na internacionalização e exportação?

Pedro Reis − A nossa diáspora económica é talvez um dos grandes activos de Portugal ainda por explorar na sua plenitude. Incluo na diáspora, muitos estrangeiros líderes de empresas que passaram por Portugal, que sabem das nossas competências e funcionam também como embaixadores da nossa economia.

Essa contribuição pode fazer a diferença?
A diáspora em si, num mundo que se rege pela informação, pelo networking, pelas parcerias, pode contribuir decisivamente para ajudar as nossas empresas na detecção de oportunidades e reduzir o risco quando estão a entrar em novos mercados.

Portanto, Portugal tem de investir nesta área.
Acho tremendamente importante que Portugal faça um trabalho profundo de rastreio positivo dessa nossa diáspora, um rastreio com valor acrescentado. Ou seja, perceber exactamente quais são
os portugueses, em que países estão em que sectores trabalham, de maneira a que possamos fechar essas parcerias com as nossas empresas locais e tornarmo-nos mais fortes no mercado externo.

É uma mais-valia.
Podem ser mais uma força na vela das exportações. Um acréscimo de vento pela positiva, a fazer chegar as
nossas empresas mais rapidamente a esses mercados. Essa diáspora económica, esses embaixadores que nós temos espalhados pelo mundo, com uma enorme boa vontade para com o seu País, podem fazer a diferença.

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Mas também é preciso procurar novos mercados?
A grande árvore que temos, na floresta da economia portuguesa, é a árvore da exportação e da internacionalização. E essa árvore, que tem um tronco comum, tem um ramo já crescido, robusto, que é preciso continuar a alimentar: o dos mercados tradicionais, fundamental e o que dá força de base à árvore. Mas, como qualquer árvore, esta tem de procurar o seu equilíbrio, e para não tombar para um lado, devemos regar muito bem os novos ramos, que não só equilibram os existentes, como reforçam o tronco, que é o mesmo, é o das competências da internacionalização. E se nós soubermos fazer isso não tenho dúvidas de que essa árvore se afirmará crescentemente como a grande vitalidade da nossa economia.

E como estamos a competir nos mercados tradicionais da União Europeia como Alemanha, França, Reino Unido e Espanha?
Há toda uma agenda de crescimento nestes mercados tradicionais, em que não estamos a perder posição, antes pelo contrário, é completamente reconhecida a competência e qualidade da produção portuguesa. Temos
uma excelente reputação de consistência no nosso fabrico. O que nos está não só a abrir mais mercado na União Europeia, como a funcionar de lanterna para outros mercados, uma vez que se vencemos nos mais
exigentes, temos uma porta de entrada mais acelerada nos outros.

Qual é a nossa posição naqueles mercados?
Não tenho dúvidas nenhumas de que nós temos posições muito fortes junto dos clientes e distribuidores desses mercados. E, inclusivamente, há indústrias que souberam reinventar-se, que souberam manter na vanguarda da investigação da inovação e noutros casos do design, e com isso estão a reconquistar posições, por exemplo, aos concorrentes asiáticos. Não tenho dúvidas nenhumas de que não só nós temos uma boa posição nestes mercados como estamos a conseguir entrar em novos segmentos ou em novos clientes.

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E como responder, em simultâneo, aos mercados tradicionais e aos emergentes?
Isso tem muito a ver com a estratégia de cada empresa. E aqui entra, por exemplo, a ajuda que a AICEP pode dar em termos de capacitação para a internacionalização, de maneira a que elas escolham quais são os seus mercados prioritários. Não há uma receita para a internacionalização, mas há princípios prévios que devem ser assegurados. Um que acho absolutamente determinante é saber estabelecer parcerias, não só a
nível interno como externo, para não estarem sozinhas e identificarem parceiros, distribuidores, sócios, investidores, que lhes possam pavimentar a entrada nos mercados.

 

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