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Brasil é um mercado em crescimento e estratégico

20 de Março de 2014

O Brasil é um dos mercados com “maior concentração de capital português”, com a presença de 600 empresas nacionais, considerado “natural e estratégico” para os nossos empresários e dos mais procurados.

“É de facto uma grande oportunidade para as nossas empresas que poderão encontrar um crescimento” que não têm no País, referiu Miguel Horta e Costa, presidente da Fundação Luso-Brasileira, durante a conferência “O nosso mercado é o mundo”, organizada pelo jornal Região de Leiria.

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Miguel Horta e Costa, presidente da Fundação Luso-Brasileira

Em sentido contrário, o ex-comissário-geral do Ano de Portugal no Brasil, mostrou-se “impressionado” por “todos os anos 500 mil brasileiros” aterrarem no aeroporto de Lisboa para fazerem ligações para outros países e não visitarem Portugal. “É um desafio para nós tentar que fiquem uns dias connosco e conheçam o País”, referiu.

Para Daniella Xavier, conselheira da embaixada do Brasil em Portugal, as relações luso-brasileiras “encontram-se num momento de extraordinário dinamismo” político, “mas temos muito a fazer no caminho económico-comercial”. Hoje há mais de 600 empresas portuguesas no Brasil, tradicionais e recém-chegadas, nos sectores financeiro, telecomunicações, logística, turismo e, entre outros, da hotelaria.

O Brasil é o sétimo investidor estrangeiro em Portugal e o terceiro principal destino dos investimentos lusos. O fluxo comercial foi de 1,7 mil milhões de euros em 2012, um valor “aquém das potencialidades” de ambos os países, segundo Daniella Xavier.

Para António Bustorff, presidente da Câmara de Comércio e Indústria Luso-Brasileira, “o Brasil terá porventura a maior concentração de capital português” no estrangeiro.

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António Bustorff, presidente da Câmara de Comércio e Indústria Luso-Brasileira

António Bustorff defendeu “uma maior abertura da economia brasileira ao exterior” e um acordo Mercosul-União Europeia, considerando que “estar no Brasil é quase uma obrigação estratégica para os empresários portugueses”.

Por outro lado, Carlos Moura, director da Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal no Brasil, após referir que “o ambiente de negócios é muito positivo”, alertou para o “mercado muito proteccionista”.

Portugal obtém saldo positivo inédito

O nosso País conseguiu no ano passado, pela primeira vez em duas décadas, um saldo positivo nas relações comerciais com o Brasil, com as exportações a crescerem 8,86% no ano passado, para 801,6 milhões de euros.

O volume global do comércio entre os dois países foi de 1,4 mil milhões de euros, segundo as estatísticas do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior brasileiro.

Em Dezembro Portugal registou um saldo positivo de 34,7 milhões, em linha com os resultados obtidos nos meses anteriores. O nosso País vendeu para o Brasil bens no valor de 64,8 milhões de euros.

O azeite foi o produto mais vendido, em valor, (21%), seguindo-se o bacalhau (7,4%) e o gás natural liquefeito (4%).

O vinho, gasolina, chapas de ferro, peras, sulfetos de minério de cobre e componentes da indústria da aviação atingiram, cada um, quotas entre os 2 e os 4%.

O ano de 2012 já tinha sido o melhor de sempre para Portugal, desde que há registo das relações comerciais bilaterais, há 20 anos.

Brasil tem um potencial enorme para a internacionalização lusa

“O Brasil é a sétima maior economia do mundo e detém um papel muito importante no relacionamento internacional, uma vez que pertence ao G20 (países em desenvolvimento) e é um dos BRICS, um grupo composto pelas economias mundiais mais fortes como a Rússia, China e Índia.

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Daniella Xavier, conselheira da embaixada do Brasil em Portugal

É ainda a primeira economia da América Latina, apresentando capacidades de se expandir mais devido ao período de crescimento económico, políticas sociais, reformas aliadas ao desenvolvimento e o facto de ser um país cheio de recursos naturais. O sector energético, em especial a produção petrolífera, detém um papel importante.

Tem uma economia baseada no crescimento do sector agrícola, mineiro, industrial e de serviços. Apesar de também estar assente no consumo doméstico, atrai muito investimento directo estrangeiro que conduz a um clima de optimismo e de potencial crescimento.

No entanto, os impostos desencorajam esta tendência, bem como alguns problemas que o país ainda enfrenta: a eliminação da pobreza, aperfeiçoamento da formação e educação, melhoria das infra-estruturas e o reconhecimento da marca nacional.

Mas, a situação geográfica e a posição de destaque no Mercosul fazem do Brasil um país atraente para os investimentos.

O aumento da dimensão do mercado interno tornou possível a existência de economias de escala que contribuíram de forma decisiva para o crescimento económico registado nos últimos anos e poderá ser a alavanca necessária para alargar o horizonte do Brasil para mercados mais amplos e mais rentáveis.

Apesar de persistirem problemas graves internos, de há uns anos a esta parte entrou numa fase de crescimento, apoiado em bases sustentáveis para a promoção do seu modelo de desenvolvimento.

A sua economia é impulsionada pela forte procura interna e investimento estrangeiro resultante da melhoria do rendimento disponível per capita.

As questões linguísticas são mais uma grande vantagem. Contudo, é preciso ter em atenção que existem inúmeras diferenças entre Portugal e o Brasil, quer a nível empresarial, quer a nível cultural e ainda ao facto de ser um mercado com uma forte concorrência.

É fundamental que os agentes nacionais sejam extremamente rigorosos no sentido de melhor definirem a forma de penetrar neste mercado”. – Síntese a partir do ‘Estudo de Mercado e Oportunidades de Negócio – Brasil’, coordenado por Paulo Nunes de Almeida, vice-presidente da AEP.

Indicadores chave

Área: 8.547.400 km2 (5º maior país do mundo)

População: 196,5 milhões de habitantes

Língua: Português

Densidade populacional: 23 hab./ km2

Designação oficial: República Federativa do Brasil

Chefe do estado e do governo: Dilma Rousseff, desde Outubro de 2010

Primeiro-ministro: Michel Temer

Data da actual constituição: Outubro de 1988

Capital: Brasília

Unidade monetária: Real

Taxa de câmbio: 1 EUR = 3,2395 BRL

Salário mínimo: R$ 678/mês (€255)

Risco de crédito: 3 (escala de 1 a 7), COSEC, Março 2013

Principais cidades: São Paulo (11,3 milhões), Rio de Janeiro (6,1 milhões), Salvador (2,9 milhões), Fortaleza (2,4 milhões) e Belo Horizonte (2,4 milhões).

Religião: A maioria da população professa a religião Católica Romana (73,6%)

 

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