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Barro negro preserva tradição e dá as mãos a novos estilos

26 de Fevereiro de 2013

// As mãos que moldam o barro são uma das imagens típicas do artesanato português, ainda presente nalgumas regiões. No concelho de Tondela esta arte milenar apurou as qualidades e algumas técnicas, mas soube manter a tradição da louça negra de Molelos.

Revista Veja Portugal - Barro negro preserva tradição e dá as mãos a novos estilosNa sua origem, tinha apenas uma função utilitária. Os recipientes, como púcaras e bilhas, serviam para guardar azeitona, cereais ou azeite, vinho ou água e para servir à mesa. Hoje, em resultado de uma evolução natural, também há peças de cariz mais ornamental e artístico, como, por exemplo, jarras, potes e castiçais, em que a inovação e a perfeição no acabamento ajudam a projectar esta arte, até no domínio turístico. Na verdade, a tradição está agora aliada a um conjunto de novos conceitos de design, pela mão de uma nova geração de oleiros, que garante a vitalidade do barro negro, enquanto matéria-prima de peças utilitárias de uso culinário, decorativas e artísticas. Como costuma dizer-se, juntou-se o útil ao agradável.

A olaria negra de Molelos, uma povoação do distrito de Viseu, a 2,5 quilómetros de distância da sede de concelho, Tondela, é um centro produtor de artefactos deste género desde a Idade do Bronze, beneficiando da boa plasticidade das argilas da região e da sucessão de gerações de artesãos que souberam transmitir o seu saber.

A loiça ganha a cor negra e o brilho metálico, e fica impermeabilizada, porque a cozedura é do tipo redutor, ou seja, o forno a lenha, de chama invertida, é completamente obstruído no fim da cozedura. Noutros tempos mais antigos, era cozida em soenga (numa cova pouco profunda cavada no chão). Os novos oleiros e as novas abordagens à matéria–prima facilitaram, entretanto, o surgimento de uma produção muito diversificada, em série, racionalizada, com métodos mecânicos e com maior rentabilidade.

Revista Veja Portugal - Barro negro preserva tradição e dá as mãos a novos estilosE, não fosse a capacidade destas novas gerações de oleiros e a arte do barro negro de Molelos teria desaparecido na década de 70, ameaçada pelas peças em alumínio que entraram em força no mercado da louça utilitária. Hoje, além de ser vendida em todo o País, é enviada também para o estrangeiro, obtendo sucesso pela sua originalidade cromática e estética.

Além do mais, perante o receio que a deter-minada altura se instalou de que pudesse ser perigosa no uso culinário, foi com-provado que tem baixo teor de chumbo e cádmio, podendo ser utilizada sem receio em qualquer processo ligado à restauração.

 

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