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“China pode ser oportunidade para muitos portugueses”

6 de Janeiro de 2014

“Os últimos 15 anos da minha vida como empresário são os de alguém que tentou abordar um país – a China -, que do meu ponto de vista é um continente, e pode ser uma oportunidade para muitos empresários portugueses encontrarem uma saída para a crise.

Os chineses, e um pouco por toda a Ásia, gostam muito das nossas pedras. E a nossa missão é, de alguma maneira, dar a conhecer os nossos produtos nesses mercados. Olhamos para a China como parceiro, nunca como cliente.

Em 1998, quando iniciámos a primeira experiência, tivemos a sorte de ser encontrados por um chinês. A nossa empresa já exportava há algum tempo para o Japão, que fazia parcerias com a China.

Ricardo Filipe, gestor da Filstone, uma empresa do sector da pedra natural, com sede em Fátima

Ricardo Filipe, gestor da Filstone, uma empresa do sector da pedra natural, com sede em Fátima e membro da direcção da Câmara do Comércio e Indústria Luso-Chinesa.

A oportunidade de negócio pareceu-me óbvia. Na altura não havia muito por onde investir e a banca também já não estava muito forte, e lançámos -nos no desafio de agrupar um conjunto de empresas, que exploravam pouca pedra cada uma, e criar dimensão para oferecer à China. E tivemos sucesso.

Na China não se pode pensar numa relação que é hoje e amanhã logo se vê. Esta atitude é completamente errada. Na China é hoje, é daqui a um ano, é daqui a 10 anos… Portanto, tudo o que não seja a longo prazo é complicado. Eles mais do que um produto, compram o futuro do negócio. E se não há futuro, não vale a pena começar, daí que primeiro seja preciso perceber se há ou não condições, se há ou não dimensão, se há produto, se temos ou não forma de poder abordar um mercado daquela dimensão.

A partir daí, pela minha experiência com a China, essa relação, se houver um factor de confiança, não vai terminar.

Não há melhor mercado, não há melhor pessoa para negociar, do que a China, do que um chinês. Em 15 anos não temos um cêntimo de dinheiro malparado com a China. Não houve nada que tivesse sido combinado – e esperemos que assim contínue – e depois fugisse ao acordado.

E esta experiência não quer dizer que não sejam muito duros a negociar. São. Muitas vezes demora-se semanas, meses, anos, a encetar um negócio, mas quando se inicia fica garantido, a não ser que algum dos empresários ou das empresas termine.stone

Hoje tenho algum orgulho em dizer isto: estamos a expandir para o o Sul do Japão, Indonésia e Austrália. Nas feiras que realizamos anualmente na China identificámos muitas pessoas da Austrália, da Nova Zelândia, da Indonésia e percebemos que poderiamos aproveitar estes novos mercados. E conseguimos levar o nosso parceiro a perceber a importância destes desenvolvimentos. O nosso grande desafio actual é entrar nestes mercados, com pedra em bloco ou transformada, mas com o objectivo é promover as pedras naturais.

Quando pensarem em internacionalizar lembrem-se da China como o primeiro país e não como o último – aquele onde só vamos depois de conseguirmos entrar em Espanha. Penso que é muito mais fácil hoje entrar na China do que em Espanha. Quem produz com qualidade em Portugal tem possibilidades da China”. - Ricardo Filipe, gestor da Filstone, uma empresa do sector da pedra natural, com sede em Fátima e membro da direcção da Câmara do Comércio e Indústria Luso-Chinesa.

 

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